
Enfim, chegamos ao estado do Arizona, com seu deserto imponente e suas cores vibrantes. Estávamos ansiosos para contemplar as belas paisagens, que variam de florestas petrificadas a grandes cânions, e revisitar os ícones lendários da Rota 66. De todos os estados percorridos, ele está no meu top 3!
Lupton: a porta de entrada Navajo
Nossa primeira parada foi em Lupton.
Breve História: Lupton está localizada na fronteira com o Novo México e faz parte da vasta Nação Navajo. A Rota 66 serviu como principal via de acesso para o comércio entre os nativos americanos e os turistas, resultando no surgimento de inúmeras Trading Posts (postos de comércio).
Conhecemos dois locais icônicos da cultura Navajo: o Tee Pee Trading Post e o Yellowhorse Trading Post.
O Tee Pee Trading Post é um posto comercial clássico da Rota 66, construído com formas que imitam as cabanas indígenas americanas (teepees). Por décadas, ele tem sido uma parada crucial para que os viajantes comprem artesanato autêntico e experimentem a cultura Navajo.
O Yellowhorse Trading Post foi fundado pela família Yellowhorse, de origem Navajo, e se tornou um dos marcos mais autênticos da Rota 66. O que o torna único é sua localização: ele foi construído literalmente encostado (e às vezes dentro) de massivos paredões de rocha vermelha que dominam a paisagem de Lupton. Há décadas, o local serve como um importante ponto de venda de artesanato legítimo, joias de prata e turquesa, e tapetes tecidos à mão, preservando a economia e a arte da nação Navajo enquanto acolhe os viajantes da “Mother Road” com suas icônicas estátuas de cavalos amarelos. Vale a pena dar uma paradinha para esticar as pernas e conversar com os locais.
Ao fundo, nos deparamos com uma bela e impressionante formação rochosa de arenito vermelho! Mais uma vez, consegue perceber a referência dela no filme Carros? Isso mesmo, no fundo das cenas em que Relâmpago McQueen está na cidade de Radiator Springs, você verá a mesma tonalidade de terra vermelha e as camadas geológicas típicas dessa fronteira entre o Arizona e o Novo México.
Tee Pee Trading Post e Yellowhorse Trading Post: I-40, Lupton, AZ 86508, EUA


Holbrook: onde o passado e a nostalgia se encontram
Breve História: fundada originalmente como uma cidade ferroviária, Holbrook abraçou com tudo o turismo da Rota 66. A cidade é famosa por suas atrações de beira de estrada que misturam o “kitsch” americano com a geologia única da região. De estátuas de dinossauros gigantes no Rainbow Rock Shop aos icônicos quartos de tenda do Wigwam Motel, Holbrook preserva o espírito lúdico da viagem. É um lugar onde você pode comprar fósseis reais de milhões de anos como lembrancinha durante o dia e dormir em um marco arquitetônico dos anos 50 à noite.
Estávamos muito ansiosos para chegar à Hoolbrook e conhecer mais um parque extraordinário, o Petrified Forest National Park, mas essa é uma região complicada para hospedagem. Não há muitas opções de hotel por perto. Nós pernoitamos no SureStay by Best Western Chambers Petrified Forest em Chambers (48 milhas antes de Hoolbrook), mas o hotel ficou bem abaixo do esperado no quesito atendimento e café da manhã.
Minha sugestão: avance até Holbrook (que fica 20 milhas depois da entrada do parque) e se hospede no La Quinta Inn & Suites by Wyndham Holbrook Petrified Forest.
Também não há muitas opções de restaurante, mas por indicação comemos uma pizza bem honesta no Pizza Edge.
Pizza Edge: 1022 US-191 Suite 300, Sanders, AZ 86512, EUA
Em outro post, vou detalhar quais são as atividades nesse parque. Tire pelo menos 1 dia para fazer esse passeio, pois o local é muito bonito!
Petrified Forest National Park: 1 Park Rd, Petrified Forest National Park, AZ 86028, EUA
Ainda tivemos tempo para conhecer o Wigwam Motel. Mesmo que você não se hospede, a visita para fotos com os carros clássicos é obrigatória! Cada quarto é uma estrutura individual de aço e concreto, com cerca de 8 metros de altura. O charme extra fica por conta dos carros clássicos da família Lewis — como Studebakers e Hudsons — que permanecem permanentemente estacionados em frente aos quartos, criando um cenário parado no tempo desde a década de 50.
Quer mais uma referência ao filme Carros? Assim como as rochas de Lupton, o Wigwam Motel foi a inspiração direta para o Cozy Cone Motel da Sally. A única diferença é que, no filme, os quartos têm formato de cones de trânsito!

Winslow: A Esquina da Música
Nossa próxima parada foi em Winslow.
Breve História: Winslow foi uma cidade ferroviária e um ponto de parada vital da Rota 66. Ela se imortalizou na cultura pop em 1972 com a música “Take it Easy” da banda Eagles. Essa associação inesperada salvou a cidade, que hoje celebra a famosa letra em sua esquina.
Fomos tirar fotos na famosa esquina que inspirou o verso “…Well, I’m standin’ on a corner in Winslow, Arizona…” ao lado da estátua do “cara com o violão”. Na avenida principal, você encontra várias opções de bares, restaurantes e lojas de souvenir.
Standin’ on the Corner Park: 2nd St & Kinsley Ave, Winslow, AZ 86047, EUA

Flagstaff: o refúgio das montanhas na Rota 66
Contrastando com o calor do deserto, você encontra Flagstaff: a charmosa cidade de montanha que te recebe com florestas de pinheiros, ar puro e uma altitude de mais de 2.100 metros.
Breve História: Flagstaff está localizada nas montanhas de San Francisco Peaks, oferecendo um clima e uma paisagem totalmente diferentes. Na Rota 66, ela funcionava como um centro de abastecimento de madeira e um importante entroncamento rodoviário e ferroviário, sendo um ponto de pernoite mais fresco no meio da travessia do deserto.
Paramos nela apenas para jantar e achamos o centrinho muito aconchegante, com muitas opções de cafeterias, bares e restaurantes. Jantamos no Cafe Stella Modern Italian Cuisine & Bar, que é uma pequena cantina italiana. Confesso que minha expectativa estava bem alta (talvez pela fome), mas o molho pomodoro super picante roubou o sabor da massa fresca e do tomate (certeza que várias nonas italianas morreram do coração! rs…). A bruschetta de entrada estava deliciosa!
Cafe Stella Modern Italian Cuisine & Bar: 7 E Aspen Avenue Flagstaff, Arizona 86001 EUA
Não tivemos muito tempo, mas passamos rapidamente nas seguintes atrações que valem a pena ser visitadas:
Historic Downtown & Railroad District: caminhe pela Aspen e pela San Francisco Street para ver os letreiros de neon clássicos e as fachadas de tijolos vermelhos.
The Museum Club: um antigo museu de taxidermia transformado em um dos bares de estrada (roadhouse) mais famosos e pitorescos dos EUA. É o lugar perfeito para ouvir um autêntico country.
Hotel Monte Vista: um hotel histórico que já hospedou estrelas de Hollywood como Gary Cooper e Clark Gable. Dizem até que é mal-assombrado, o que garante ótimas histórias!
Lowell Observatory: visite o local onde Plutão foi descoberto e observe o céu límpido do Arizona — Flagstaff foi a primeira “International Dark Sky City” do mundo.
Lumberyard Brewing Co: instalado em um prédio histórico da indústria madeireira, é ótimo para provar cervejas artesanais locais.
Flagstaff foi pra nós uma grata surpresa, pena que não tivemos tempo para explorar mais. Seguimos em frente para a parada que realmente estávamos esperando: Williams e o Grand Canyon!
Williams: a porta para o Grand Canyon
Essa era a parada mais esperada da viagem, Williams.
Breve História: Williams foi a última cidade da Rota 66 a ser contornada pela Interstate 40 (em 1984), o que a tornou um símbolo de resistência da estrada. Hoje, é famosa por ser a “porta de entrada” do majestoso Grand Canyon, abrigando a linha férrea histórica que leva os turistas ao parque.
Ficamos duas noites no Days Inn by Wyndham Williams e gostamos muito do quarto, serviço e café da manhã. É uma ótima opção para quem quer ficar hospedado na cidade e não dentro do parque.
Em outro post, vou detalhar o que você pode e deve esperar de sua visita ao Grand Canyon, pois esse parque é simplesmente imperdível e oferece muitas atividades.
Visite também o Grand Canyon Railway, uma estação de trem histórica de onde partem passeios diários rumo ao Grand Canyon. É uma viagem no tempo com música ao vivo e entretenimento a bordo.
Grand Canyon Railway: 233 N Grand Canyon Blvd, Williams, AZ
Em Williams você encontra referências à Rota 66 na cidade inteira. Pare no Pete’s Gas Station Museum: uma antiga estação de serviço perfeitamente preservada, repleta de memorabilia e ideal para fotos clássicas. Caminhe pela avenida principal, que por coincidência, é a Rota 66 original e entre nas lojinhas de souvenir. Nessa avenida, você encontrará também diversas opções de restaurantes que oferecem todo tipo de cardápio.
Pete’s Gas Station Museum: 101 E Rte 66, Williams, AZ 86046, EUA
É claro que amei todo o percurso da Rota 66 até aqui, mas o Grand Canyon arrebatou meu coração todinho!

Kingman: a capital histórica da Rota 66
Finalmente, chegamos a Kingman.
Breve História: Kingman se autodenomina a “Capital Histórica da Rota 66 do Arizona”. Foi uma cidade importante no início da Rota 66, servindo como base aérea durante a Segunda Guerra Mundial e como um centro logístico no deserto. Ela é o ponto de partida para a seção mais longa e mais preservada da Rota 66 em todo o país.
Paramos para almoçar no Mr. D’z Dinner, famoso restaurante temático na Rota 66. Ao entrar, você parece voltar no tempo por causa do visual vintage do lugar. O hamburger é sensacional e tomar um milk-shake é obrigatório.
Mr. D’z Route 66 Diner: 105 E Andy Devine Ave, Kingman, AZ 86401, EUA
Também paramos para tirar foto na impressionante locomotiva e no PowerHouse Museum, localizado na antiga Powerhouse de Kingman, que fornecia energia para a mineração e para a cidade. Hoje, abriga o museu oficial da Rota 66 do Arizona, que narra a história da estrada no estado, da mineração e da aviação local.
Não se esqueça da foto no banco que aponta o trajeto completo da Rota e suas principais cidades. Lá você tem uma ideia de quanto já percorreu e o que ainda falta para chegar em San Bernardino, na Califórnia!
Historic Route 66 Association of Arizona (PowerHouse Museum): 120 W Andy Devine Ave, Kingman, AZ 86401, EUA
Nossa aventura pelo incrível estado do Arizona está chegando ao fim. Nossa última parada será em Oatman, a cidade dos burrinhos simpáticos!
Oatman: farol do Velho Oeste e os burros livres
Nossa última e mais cênica parada no Arizona foi na cidade fantasma de Oatman.
Breve História: Oatman foi uma cidade do boom do ouro no início do século XX. Quando as minas fecharam e a Rota 66 foi desviada em 1953, a cidade foi praticamente abandonada. Seus burros selvagens (descendentes dos burros de mineração) e seu visual autêntico de Velho Oeste a tornaram uma atração turística cult da Rota 66.
Para chegar lá, você percorre a Rota 66 original. Você se depara com os simpáticos burrinhos selvagens que ficam esperando os turistas para ganhar petiscos, geralmente baby carrots. É possível parar no mirante que fica pelo caminho e observar a vista e ainda fazer fotos com os bichinhos.
Atenção! É preciso cuidado, pois a estrada nesse ponto é sinuosa e muito estreita, e os burrinhos adicionam um perigo a mais no trajeto.
Chegando em Oatman, você se sente como em um filme de faroeste, com bares, restaurantes temáticos e lojas de souvenir por toda a avenida principal. Visite a Gold Road Mines, uma antiga mina de ouro e a cadeia para sentir a vibe do local. A região é muito bonita e, com certeza, vale a visita!
Gold Road Mines: 10277 Oatman-Topock Hwy, Oatman, AZ 86433, EUA
Infelizmente, nossas aventuras pelo Arizona (estado que roubou meu coração) chegaram ao fim! Ainda falta o último trecho da Rota 66: a Califórnia! Mas antes, um pequeno desvio até Las Vegas. Em outro post, vou detalhar o que fizemos em nossos dois dias por essa cidade vibrante.
E você, o que achou de mais interessante no estado do Arizona? Me conta nos comentários!


